Em sua vida, você já se arrependeu de algo que não tenha feito? Qual o seu maior arrependimento?
Na possibilidade do milho não melhorar de preço, entidade garante que já negociou com o governo recursos que chegam a R$ 4,8 bi para os leilões da Conab em todo o país. Para MT, os recursos demandados visando a comercialização do produto chega a 980 millhões.
Bastante utilizados pelos agricultores brasileiros, os Prêmios de Escoamento de Produto (PEP) especificamente para o milho, talvez retornem às páginas dos jornais e sites especializados no agronegócio, ao término da entressafra que se inicia.
Dispositivo corriqueiro no setor agrícola, os leilões realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2009 foram uma das poucas saídas que permitiram que os produtores escoassem – mesmo com prejuízos calculados em R$ 200 milhões, o excedente produzido no estado na safra passada.
Por isso o Delegado da Aprosoja/ núcleo de Lucas do Rio Verde e suplente de deputado federal, Neri Geller, foi esta semana à Brasília, e revestido do direito constitucional pertinente à comercialização agrícola encontro-se com o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), José Gerardo Fontelles, e Coordenador Geral de Oleaginosas e Fibras do Ministério da Agricultura, Sávio Pereira.
Os técnicos do departamento de Comercialização de Grãos do Governo Federal, segundo Geller, asseguraram que o governo estará mais atento à atual safrinha de inverno que na safra anterior, com a viabilização este ano de recursos que já chegaram à R$ 5,8 bilhões para a comercialização de culturas que, porventura, sejam novamente submetidas à um cenário de quebra na comercialização.
“Assim como eventualmente ocorre com o trigo do sul, o café no nordeste e o algodão no centro-oeste, nós da Aprosoja já estamos preocupados com o que pode acontecer com o milho, pois o nosso estado é campeão da oleaginosa no país”, diagnosticou Geller.
Por em prática “um direito dos agricultores”, que “é a garantia de preço mínimo”, é o principal argumento da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja) para a articulação dessas medidas, e captação de recursos.
Encabelado por Nery, que através da suplência no congresso nacional também chegou a ser o principal interlocutor dos produtores no advento da renegociação das dívidas, em 2009, o trabalho da Aprosoja vem desde o ano passado sendo acompanhado de perto pelo senador Gilberto Goellner.
As articulações, desde então, sempre foram pela viabilização da atividade, como no exemplo verificado pelas solicitações dos leilões da Conab. O temor justificado pelo Delegado da Aprosoja é que o estado, assim como todo o país, sofra mais uma vez os prejuízos causados por um escoamento moroso, e que deixaram Mato Grosso com a metade de sua produção total, que chegou a quase 7 milhões de toneladas, encalhada pela demora no atendimento.
“Na verdade o governo precisa se mexer logo. Nós estamos cobrando o trabalho de um trabalho que vem sendo realizado desde o ano passado. Somos produtores comprometidos com o abastecimento de alimentos no mundo, e por isso não podemos parar”, justificou Geller.
Por intermédio da Aprosoja, os recursos demandados pelo governo federal no ano passado visando a continuidade na comercialização do milho somaram R$ 400 milhões para Mato Grosso, permitindo o escoamento de 6,8 milhões de toneladas. Para este ano, a entidade já visa R$ 980 milhões.
Segundo expectativa do suplente de deputado federal, a pretensão este ano é contemplar os produtores o mais cedo possível, para que “quando ele começar a colher, já esteja também podendo fazer a negociação do produto”.
O coordenador explica que “a pressa, lógico, é para uma eventualidade, no caso do milho, que já está com preços ruins, não melhore sua cotação”.
“Nós não podemos nos dar o luxo de ter áreas extensas abertas no estado de Mato Grosso sem nada cultivado. Isso pode virar capim”, respondeu ele, ao ser indagado porque os agricultores insistem na cultura, mesmo prevendo cenários desfavoráveis para a comercialização.
Especialmente nas regiões norte e médio-Norte do estado, o último levantamento de safra realizado pelo Imea indica um incremento de 1,8 milhões de hectares na área plantada com milho safrinha.
Esse montante equivale a 29,6% da área plantada com soja. Segundo observações do órgão de pesquisa, a maior utilização de área até o momento só foi possível devido ao ciclo antecipado da primeira safra, prevista para ser totalmente colhida em municípios como Lucas do Rio Verde, na primeira quinzena de março.
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