Em sua vida, você já se arrependeu de algo que não tenha feito? Qual o seu maior arrependimento?
O operário Custódio dos Reis Santana, 29 anos, teve o atendimento médico negado em dois hospitais de Belo Horizonte (MG), na madrugada desta quarta-feira, mesmo após ter a mão decepada em um acidente de trabalho.
Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, Santana foi levado ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII por uma ambulância. Na esperança de ter a mão reimplantada, Santana levou a mão decepada dentro de uma sacola com gelo. Mesmo assim, teria recebido a informação dos funcionários de plantão no HPS de que somente os casos de emergência, em que havia risco de morte, seriam atendidos, já que desde terça-feira os médicos da unidade estavam em greve de 24 horas.
Ainda de acordo com o boletim registrado pela PM, em seguida, Santana foi levado para o Hospital Odilon Behrens (HOB), no bairro São Cristóvão.
O cinegrafista José Silvano Lopes acompanhava o irmão, Jander Lopes, que também aguardava atendimento após ter sofrido um acidente de trabalho. Ele viu quando Santana chegou ao HOB. "O motorista da ambulância ficou nervoso, chegou a perguntar se aquilo não era urgência ou emergência, mas os dois únicos médicos de plantão estariam em cirurgia e não puderam atender o rapaz", disse Lopes.
Irritado, o motorista da ambulância acionou a Polícia Militar e retornou ao HPS João XXIII com os policiais. Depois de 40 minutos, Santana foi submetido a uma cirurgia, mas a mão dele não pôde ser reimplantada porque "houve esmagamento da camada íntima da artéria". Segundo a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), em alguns casos, o membro pode ser reimplantado em até 8 horas, mas que não foi o caso devido à gravidade de lesão. Entre as duas tentativas de atendimento, houve um intervalo de 2 horas, de acordo com a PM.
A assessoria de imprensa do Hospital Odilon Behrens informou que o operário chegou a ser avaliado pelo médico coordenador-geral que estava de plantão. O profissional avaliou os sinais vitais e o ferimento de Santana, que já não mais sangrava.
O coordenador informou ao paciente que os dois médicos ortopedistas de plantão estavam em cirurgias de emergência em pacientes que tiveram fraturas expostas e que ele, caso quisesse, poderia aguardar, mas que o ideal seria buscar o atendimento no HPS João XXIII, referência neste tipo de trauma.
A assessoria de comunicação da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) informou que o operário foi avaliado na triagem, na primeira vez em que esteve no pronto-socorro, pelos médicos e enfermeiros que fizeram parte do comando da greve de 24h.
A Fhemig disse que não pode informar qual o motivo do não atendimento do operário, já que o hospital segue as regras definidas pelo Protocolo de Manchester, que determina a ordem de atendimento dos pacientes.
A reportagem tentou contato com o Sindicado dos Médicos, responsável pelo movimento de greve dos profissionais do HPS João XXIII. Até as 12h20, o Sinmed ainda não havia se pronunciado sobre o assunto.
comentários
Seja o primeiro a Comentar!