Em sua vida, você já se arrependeu de algo que não tenha feito? Qual o seu maior arrependimento?
Servidores do Hospital Regional fizeram no final da tarde de ontem um manifesto por uma melhor e mais segura assistência aos pacientes atendidos pelo hospital.
O motivo principal que levou os servidores a esse movimento é busca de um número maior de profissionais para assistir os doentes, entre eles: enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem, psicólogos e nutricionistas. A enfermeira Leila Dorn, afirmou que o que eles pretendem não é um embate, mas sim expor para autoridades, e principalmente para a população, que é a principal interessada, as reais condições do hospital. “O principal objetivo é reivindicar melhores condições de assistência ao paciente e chamar a atenção das autoridades para toda essa situação e expor para a população a realidade que as vezes é até mascarada”. Essa iniciativa é da gente mesmo, porque as vezes eles são atendidos e acabam falando mal, que foram mal atendidos.entao a gente também precisa expor pra população as condições em que a gente é obrigado a trabalhar.
Os servidores colaram cartazes e distribuiram um manifesto com toda a pauta de reivindicações. Segundo o manifesto, há algum tempo o hospital está atendendo com número reduzido de enfermeiros, bem como fisioterapeutas, técnicos e auxiliares de enfermagem e nutricionistas, como afirma a enfermeira: “Hoje o principal é a falta de funcionários. Conversando com coordenadores e a gente sabe da situação, o principal problema, o estrangulamento cai aí. Hoje nós temos 70% dos profissionais contratados, com contrato temporário. Esses contratos vencem, os profissionais são substituídos e a gente não consegue dar uma continuidade na assistência, na qualidade, nos treinamentos, isso acaba caindo a qualidade. Além do que não é de uma hora para outra que se consegue esse número de contratados, demora. Tivemos a informação de que estavam conseguindo 40 contratados. O tratamento que é dado para essas situações é muito paliativo. Eu entrei no último concurso que teve em 2002 e a gente não pode ficar assim a tanto tempo.
Ainda segundo o documento, o crescimento do Hospital Regional de Sorriso não acompanhou o crescimento da população e hoje tem estrutura física e humana insuficiente para a demanda. De acordo com os servidores, os enfermeiros são obrigados a dar assistência a até 80 pacientes num plantão, ferindo o CoRen, regulamento da classe que não está sendo cumprido. “A gente sabe que em plantões um enfermeiro chega a atender duas clínicas que daria em torno de 60, 70 pacientes. Lembrando que assume também a obstetrícia, que atende gestação de alto risco. E o CoRen que é o nosso Conselho de Classe ele determina o número de pacientes por gravidade, então conforme a gravidade do paciente, menor o numero que um técnico de enfermagem pode atender.
Ela falou ainda sobre a pequena participação dos servidores no manifesto, que contou mais com a participação de servidores concursados, e não dos contratados, por medo de represálias “Por conta desses 70% dos contratos temporários. Muitos manifestaram total apoio para gente, porém eles tem medo de vir se expor por medo de não renovarem contratos futuros”.
Recentemente esteve presente, realizando vistorias a CPI da Saúde, com a presença de um deputado, mas segundo a enfermeira esses problemas não foram apresentados na integra “Na verdade o que aconteceu: tinha pacientes nos corredores e eu não sei como esses pacientes sumiram dos corredores e ficou tudo muito bonito, muito bonito. Ficou uma situação que não é a real”.
Além da falta de profissionais, os manifestantes destacam outros problemas como “Falta de estrutura física, falta de médicos, principalmente os médicos que seriam peças chaves, como infectologista, laboratórios de microbiologia, que nunca saiu do papel, ampliação da maternidade, que até tinha verba para fazer essa maternidade e não saiu do papel, serviço de dietética e muitos outros, que não saíram do papel e a população não é de papel, ela está aí. E nós que estamos sendo atendidos aqui e independente da quantidade de dinheiro que tu tens, se tu tens avião para ir para Cuiabá, mas se você não tem condições clínicas de ser transportado, você vai continuar sendo atendido aqui, vai ficar nas mãos dos nossos médicos. É importante a mobilização de todo mundo”.
E completou dizendo que tem esperanças através desse movimento de ter essas reivindicações atendidas “Nosso objetivo é chamar a atenção das autoridades, para que não se mascare mais nada para a população, eles tem o direito de saber e nós de informar de forma clara, nós somos profissionais técnicos e sabemos aquilo que está ou não correto aqui dentro e a gente tem esperança que alguém faça alguma coisa.
Vereadores estiveram presentes para dar apoio ao movimento e estarão encaminhando o Manifesto a autoridades políticas para tentar resolver esses problemas, como falou o vereador Hilton Polesello “Sabemos que 70% dos servidores são contratados, precisamos de um concurso público para que esses profissionais possam ser efetivados para ficar aqui trabalhando. A gente sabe das dificuldades que eles encontram nesse atendimento. A gente sabe que os pacientes que passam pelo hospital são bem atendidos, mas muitas vezes a estrutura não faz com que aquele atendimento seja aquilo que as pessoas esperam e muitos culpam simplesmente os servidores e muitas vezes não é o caso. Nós recebemos a pauta da manifestação para que seja melhorada a estrutura ao atendimento aos pacientes. Nós encaminharemos a todos os deputados estaduais, federais e senadores e também ao governador, á secretaria de saúde e à direção do hospital para que sejam tomados posicionamentos voltados ao público alvo, que é o nosso munícipe.
comentários
Maria comentou em 14-07-2010 às 21:17
Parabéns enfermeira Leila pela iniciativa do manifesto. Tenho pena dos meus colegas que trabalham no hrs pois sâo cobrados pela direção do hospital e população a prestar atendimento de qualidade neste hospital precario. Valeu vão enfrente! Coragem!