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Notícias / Saúde

Confira o Manifesto feito pelos servidores do Hospital Regional na íntegra

quarta-feira, 14 de julho de 2010

MANIFESTO PELA SAÚDE


Sorriso, 13 de Julho 2010


 


Que fique esclarecido que este Manifesto não tem caráter político-partidário e administrativo e tem como único e real objetivo suplicar por uma assistência segura aos pacientes atendidos no Hospital Regional de Sorriso.


Os servidores que aqui estão, entendem a necessidade de um número maior de profissionais para assistir os doentes, entre eles: enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem, psicólogos e nutricionistas.


Há algum tempo estamos trabalhando com número reduzido de profissionais da Enfermagem conforme regulamenta o Conselho de Classe (CoREn). Um enfermeiro se obriga a “prestar assistência” a oitenta pacientes num plantão. Os fisioterapeutas não conseguem dar assistência para todos pacientes que necessitam deste cuidado, ficando muitos desassistidos. Faltam médicos, psicólogos e nutricionistas.


O crescimento do Hospital Regional de Sorriso não acompanhou o crescimento da população e hoje tem estrutura física e humana insuficiente para a demanda.


A complexidade aumentou, e foram agregados novos serviços a exemplo da oncologia, um grande benefício para a população, porém a equipe de saúde e o espaço físico permaneceram iguais.


O Pronto atendimento tem uma estrutura física inadequada e insuficiente, como os banheiros que são utilizados por muitos doentes. O paciente atendido no Pronto Atendimento é consultado na frente das demais pessoas, sem privacidade, expondo seus problemas aos ouvidos de todos.


A qualidade do ar fica prejudicada em enfermarias superlotadas, expondo os pacientes à riscos, assim como a proximidade dos leitos que não é respeitada, ficando menos de 10 cm de distância um leito do outro. Frequentemente os corredores ficam lotados com pacientes acomodados em macas impróprias.


O centro de esterilização de materiais apresenta várias irregularidades.


A falta de médico infectologista no hospital prejudica o controle de Infecção Hospitalar, prevenção e tratamento de doenças.


Não há laboratório de microbiologia para identificar os microorganismos e oferecer um tratamento adequado. Este laboratório é obrigatório em serviços que possuem Unidades de Terapia Intensiva (UTI), como o nosso.


Falta logística no serviço de Ortopedia quanto aos materiais de Órteses/Próteses, havendo uma espera pelo paciente de vários dias (meses) até a compra e a chegada destes materiais.


O Centro Cirúrgico está pequeno para a demanda, bem como os leitos do Hospital e profissionais. As filas de espera para uma cirurgia são enormes.


Precisamos que os gestores intensifiquem o olhar no Hospital Regional de Sorriso que tanto serve a população do médio-norte.


Reconhecemos que há esforço da direção geral local em buscar melhores condições para o atendimento aos pacientes, porém não percebemos o retorno destas buscas. Observamos que muitas soluções conquistadas são paliativas e não resolvem o problema definitivamente, a exemplo das contratações temporárias.


Há oito anos não ocorre concurso público para profissionais da Saúde e sempre que acabam os contratos ocorre redução do número de servidores, e aqueles que conseguem a recontratação perdem seus direitos trabalhistas como as férias fazendo com que muitos servidores chegam a ficar de 3 a 5 anos sem férias para permanecer em seu trabalho. A além da insegurança de perder o seu sustento a cada ano, a troca muito grande destes funcionários desestabiliza a assistência, pois sempre que chegam profissionais novos são necessários treinamentos e um período de 2 a 3 meses para se adaptarem e reconhecerem as rotinas do Hospital. Trabalhamos hoje com cerca de 70% dos servidores da enfermagem, fisioterapia e médicos com contrato temporário.


Vários são os projetos que há anos se vem buscando e não saíram do papel, como uma maternidade, a ampliação do Pronto Atendimento, o Serviço de Nutrição e Dietética, a definição de um atendimento voltado ao trauma e aos pacientes mais graves, o laboratório de Microbiologia, entre outros projetos que permanecem nos papéis e a população que não é de papel sofre com tudo isso.


A “Maternidade” conta com a mesma estrutura física desde 2004, onde neste ano eram realizados em média 100 partos por mês, agora, em 2010 a média é de 144 partos por mês. Fica superlotada e impossível de acomodar acompanhantes como é determinado por lei e programas de humanização. As pacientes são acomodadas de forma precária, sem a mínima privacidade e dividem instalações sanitárias em número insuficiente. A clínica fica insalubre para o binômio mãe-bebê. Somos referência em gestação de alto risco de vários municípios. Os projetos de nova construção não saem do papel.


Percebemos que a velocidade com que as melhorias na saúde acontecem não acompanha a velocidade do crescimento populacional e das necessidades em saúde da mesma.


Desta forma a população sente na pele, nas filas de espera, a demora, a falta de qualidade, a falta de estrutura e até de condições sanitárias. E os profissionais se frustram pelo anseio de querer e ter vontade de oferecer um atendimento humano, comprometido e digno e não tem condições para isso.


Hoje estamos preocupados em atender melhor, com qualidade, dignidade ao ser humano e segurança. Queremos que as leis de saúde, as leis do SUS e dos Conselhos de Classe sejam cumpridas para garantirmos esta qualidade.


Nosso Hospital Regional de Sorriso está doente. Queremos trabalhar para ver este Hospital crescer, ampliar a capacidade de cirurgias das diversas áreas, ter mais leitos, ter uma maternidade digna, mais serviços como hemodinâmica, hemodiálise, radioterapia, quimioterapia, entre outros. Entendemos que um PLANO DIRETOR DE CRESCIMENTO E EXPANSÃO DO HOSPITAL REGIONAL DE SORRISO é fundamental com estrutura física vertical que permita ampliações planejadas e que este sonho se torne realidade.


Queremos oferecer qualidade no atendimento e para que isto seja possível precisamos de um número de servidores suficiente, estrutura física adequada e serviços de apoio equipados. Fazer saúde requer planejamento, vontade e investimento. Temos a vontade de fazer cada vez melhor e idéias que ajudam no planejamento, mas sem investimento e sem apoio dos gestores tudo isso não passará de um sonho e a população continuará em filas de cirurgia, em enfermarias superlotadas, nos corredores, mal assistidos.


Nós profissionais da saúde, que atuamos diretamente neste atendimento, necessitamos que as autoridades constituídas responsáveis pela gestão dos recursos públicos se preocupem mais com esta população. Porque nós estamos fazendo um atendimento que vai contra nossos princípios e contra os princípios do próprio Sistema Único de Saúde.


Fazemos o SUS, fazemos o Estado, e se isto tudo está insuficiente, temos o DEVER de clamar por condições dignas de atendimento ao paciente.


 

Fonte: Redação
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