Em sua opinião, após o comando do Hospital Regional passar para OSS, o atendimento do mesmo:
Raramente um jogador resiste à atração de uma mesa de
jogo. Para o compulsivo, então, a possibilidade de ganhar algo em algum jogo é
um apelo irresistível, quase sempre fora de controle. E se a política tem mesmo
tanta semelhança com o jogo, como muitos observadores propalam, então o
ex-deputado Roberto França não resistiria à oportunidade de disputar a eleição
para prefeito de Cuiabá este ano.
Quem acompanha a trajetória de França na política conhece
sua experiência tanto no legislativo quanto no executivo. Ele foi vereador por
mais de uma vez, inclusive presidente da Câmara; cumpriu mandatos de deputado
estadual, em um dos quais também presidiu a Assembleia; e foi deputado federal
e prefeito de Cuiabá por dois mandatos.
Com um histórico desses, aliado ao fato de ancorar, hoje,
um programa de TV de variedades que consegue ser mais completo do que a maioria
do gênero, que ele soube usar eficientemente para se reconciliar com um
segmento significativo do eleitorado cuiabano, Roberto França só não será
candidato se não quiser. Mas daí a ganhar a eleição há uma longa distância a
ser percorrida – todo mundo sabe disso, inclusive ele.
Embora ninguém ainda se assuma como candidato declarado,
sabe-se que muitos nomes já estão postos na mesa com vistas ao páreo. O nome de
França integra esse grupo, por sinal em terceiro lugar em pesquisa de intenção
de votos do instituto Mark divulgada há poucos dias. Ele ocupa lugar de
destaque nessa pesquisa, que foi realizada em um momento em que a maioria dos
eleitores ainda não sabe quase nada das candidaturas.
Nem tudo são flores, porém, quando se avalia as chances de
França de se eleger prefeito da capital pela terceira vez.
Ele já perdeu eleições ao longo de sua trajetória na
política. A derrota para Frederico Campos na corrida à prefeitura de Cuiabá,
depois de ter ficado na dianteira durante a campanha inteira, é uma delas.
Este, por sinal, teria sido um dos episódios marcantes de sua imagem de
candidato que não sabe perder. Por não aceitar a derrota, Roberto teria tido um
princípio de depressão naquela época, de acordo com relatos de seus próprios
correligionários.
Mais recentemente, amargou novo fracasso ao tentar voltar
à AL, depois de dois mandatos sucessivos no Alencastro. O que se sabe, da boca
do próprio candidato derrotado, é que ele perdeu a eleição porque foi traído
por líderes de bairros. Nova derrota, nova fase difícil por não aceitar a
adversidade. Desta vez, com a agravante de ter tido contra si a maioria
absoluta do funcionalismo público municipal, de quem atrasou salários por até
quatro meses.
De tudo que foi dito, fica a certeza de que se trata de um
candidato (caso se candidate) que não pode ser ignorado, pois se entrar na
disputa será com todas as cartas que puder reunir. Ele gosta de fazer política;
é considerado uma das raposas políticas deste Estado; tem serviços prestados
mais do que a maioria dos candidatos; e mostra um poder de arregimentação de
forças muito grande.
Não é por acaso que o DEM aposta todas suas fichas em França. Não será por
acaso se ele se candidatar e vencer a eleição. Muito embora se saiba que, no
jogo político, mesmo o jogador mais competente às vezes perde com até três
curingas na mão.
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