19/05/2017 15:04

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Folha Max



O advogado Themystocles Ney de Azevedo de Figueiredo revelou que passou a ser ameaçado e perseguido pelo representante da Caramuru, Walter de Souza Junior. Ambos, porém, colaboraram com as investigações que culminaram com a prisão de três agentes da Secretaria de Fazenda do Estado.

Segundo o advogado, as ameaças começaram após o repasse de todos os valores oriundos da suposta propina paga pela Caramuru Alimentos para o agente de tributos da Secretaria de Fazenda, Andre Neves Fantoni. De acordo com Themystocles, no final de outubro de 2016, o representante da empresa, o procurou, pedindo que ele assinasse pareceres de atos que ele nunca praticou.

Themystocles se negou a assinar, já que não eram de autoria dele. Walter então propôs que o advogado então embarcasse em um avião à Sinop. De lá, um motorista o levaria até Sorriso, onde ele ficaria hospedado no hotel “Ana D’ália”, o que foi recusado por ele.

O advogado relata que, após este fato, Walter passou a persegui-lo por meio de ligações no celular e mensagens de texto, através do aplicativo Telegram. Em uma destas mensagens, o representante dizia: “Você precisa assinar o parecer [...] Tem que ser você. Você quer ferrar todos?”.

No depoimento, Themystocles afirmou que mesmo após as evasivas, Walter o procurou no escritório de advocacia do sogro. Ele relatou ainda que o pai de sua esposa foi procurado pelo advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), Francisco Faiad, que disse estar em nome do representante da Caramuru.

O sogro de Themystocles então, disse a Faiad, advogado de Walter, que seu genro não teria nada para tratar com o representante da Caramuru.

PROPINA

Em seu depoimento, Themystocles também revelou que o representante da Caramuru também recebeu propina. Ele teria ficado com cerca de R$ 226,5 mil dos mais de R$ 1,7 milhão pagos em propina.

Os valores teriam sido repassados por transferências bancárias em contas indicadas pelo diretor.

OPERAÇÃO ZAQUEUS

De acordo com investigação da Defaz-MT, a Caramuru Alimentos teria pago propina de R$ 1,7 milhão a agentes de tributos estaduais para reduzir um “auto de infração” (multa) contra a empresa de R$ 65.938.391,10 para R$ 315.000,00 – um “desconto” de 99,5%.

Os servidores da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT), André Neves Fantoni, Alfredo Menezes Mattos Junior, e Farley Coelho Moutinho são acusados de fazer parte do esquema e tiveram mandado de prisão preventiva decretada pela Defaz-MT. Farley foi solto no dia 9 de maio, em decisão do desembargador Orlando Perri por falta de provas.

A operação “Zaqueus”, deflagrada em virtude da suposta fraude, contou com o apoio da Defaz-MT e do Gabinete de Transparência e Combate a Corrupção do Governo de Mato Grosso. As ordem judiciais foram cumpridas em Cuiabá (um mandado de prisão, um de busca e apreensão e outro de condução coercitiva) e também no Rio de Janeiro (RJ) – que cumpriu dois mandados de prisão e um de busca e apreensão.

A Caramuru, empresa goiana gigante no ramo de grãos, disse ter sido vítima de “extorsão” dos servidores públicos da Sefaz-MT.