12/01/2018 16:10

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Folha Max


O Núcleo de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público Estadual (MPE) anunciou na tarde de hoje que irá investigar o áudio divulgado ontem atribuído ao deputado estadual Jajah Neves (PSDB). Na gravação, a voz que seria do parlamentar afirma, entre outras coisas, revela que devolve a verba indenizatória ao titular da cadeira na Assembleia Legislativa, Wilson Santos (PSDB).

Jajah ocupa a vaga de Wilson Santos na AL-MT, desde que ele assumiu a Secretaria de Estado de Cidades. Cinco promotores podem liderar o caso, que ainda será sorteado: Henrique Schneider Neto, Célio Joubert Furio, Roberto Aparecido Turin, André Luiz de Almeida e Mauro Zaque de Jesus.

A definição sobre quem assumirá as investigações, por meio de um Inquérito Civil, será na próxima semana, conforme o coordenador interino do Núcleo, o promotor André Luiz de Almeida. O áudio atribuído a Jajah Neves ganhou os grupos de WhatsApp no final da tarde de ontem.

Num dos trechos da gravação, que é narrada pelo serviço de voz feminina disponibilizada pelo Google Translator, por exemplo, o tucano disse que devolve a verba indenizatória, onde o parlamentar é ressarcido por despesas com combustíveis, aluguel de imóveis, locação de veículos, dentre outros, no valor de R$ 65 mil ao próprio Santos. Ele também reclamou que, apesar de estar no exercício do cargo, não conseguiu emplacar nenhum aliado em cargos de indicação política junto ao Governo do Estado. “Suplente sem conseguir meter uma nomeação. Cai minha VI e eu tenho que devolver para Wilson se não ele começa a me ligar três dias antes de cair”, disparou.

A devolução da verba indenizatória para Wilson Santos já havia sido mencionada num bate boca entre a deputada estadual Janaína Riva (MDB), e Jajah Neves que em maio de 2017 se ‘estranharam’ na discussão sobre os grampos ilegais que vitimaram a parlamentar. Na ocasião, a deputada estadual afirmou que o suplente, de fato, devolvia a verba indenizatória a Wilson Santos. A parlamentar chegou a dizer que faria a denúncia ao MPE, mas foi convencida por outros colegas a desistir.

VERBA PARA TV

Jajah Neves teria dito que "sustenta" a TV Mato Grosso (canal 27.1), onde apresenta um programa, com dinheiro público. “Emissora de TV que não tem nenhuma publicidade. Eu sustento aquilo ali com dinheiro público que vem. Cai o dinheiro não é por causa da mídia, é por causa de mim. Não chega para ninguém. Chega por causa de mim. Tudo é sustentado pelo Governo e pela Assembleia”, disse a gravação atribuída a Jajah Neves.

Na "metralhadora giratória" do político, Jajah não poupou nem o seu irmão, o vereador de Várzea Grande, Ademar Jajah (PSDB). Ele disse que apesar de resolver a “vida” do parente, ajudando-o a vencer a eleição para a Câmara Municipal de VG, ainda está devendo até o “c*”.

O deputado reclamou ainda que a eleição do irmão “lhe deu prejuízo político” e que saiu “queimado” do processo numa referência ao caso dos “santinhos” utilizados por Ademar em sua campanha, mas que tinham a imagem do suplente. Um processo tramita no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) que pode decretar a inelegibilidade do parlamentar estadual.

“Disse ao meu irmão que eu resolvi sua vida. Peguei você aqui te dei um mandato. Você tem 4 anos para você administrar sua vida. Ganhando um baita de um salário. [E ele] tá devendo até o c*. Gastando dinheiro que se não tem ideia. Prejuízo essa eleição dele. Me queimou”, disse Jajah Neves.