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21 de setembro - DIA DA ÁRVORE

Sorriso: empresária cria grupo "Esquadrão Verde"em defesa das árvores

Tâmara Figueiredo em 21/09/2019 às 13:08. Lida 626 vezes.


Neste 21 de setembro vamos contar a história da gaúcha de Gaurama – RS, Vera Lucia Cavaletti que é empresária do ramo de móveis e mora há vários anos em Sorriso. Ela se define como uma amante e defensora da natureza e, principalmente das árvores. Observando as podas de árvores irregulares e até mesmo em alguns casos, radicais, teve a ideia de montar um grupo na rede social do Facebook intitulado “Esquadrão Verde”, que hoje já conta com quase 2 mil seguidores. Ela conta como tudo começou. “Eu via podas absurdas, em que as árvores ficavam praticamente um bonsai. E senti que eu precisava fazer alguma coisa. Então decidi montar o grupo e ir chamando pessoas, seguidores e comecei a postar na página do Facebook essas podas radicais. E vi que esse não era o caminho, porque muitas vezes eu fotografava casas dos meus próprios amigos, que gostam da natureza mas não tem consciência do que as árvores significam para nós. Assim como eu também não tinha essa consciência e fui desenvolvendo, eu acredito que as pessoas consigam desenvolver também. Porque não se têm noção hoje da importância das árvores para o bem estar de uma cidade”.

Ela diz que as pessoas reclamam muito do calor, mas não sabem que com as árvores, as cidades teriam uma temperatura mais agradável “Os benefícios das árvores são inúmeros, poderíamos ter até 8 graus a menos de temperatura se as nossas ruas fossem arborizadas, tipo alamedas, como é lá em Maringá, como é em Curitiba e outras cidades do País. Imagine o que é ter 5 a 8 graus a menos, sem falar da umidade relativa do ar que seria muitíssimo maior.

O crescimento do grupo foi algo bastante rápido. Criado em 26 de janeiro de 2017, o “Esquadrão Verde”, que surgiu como um pedido de socorro e uma tentativa de conscientização, hoje já tem quase dois mil seguidores. “Graças a Deus, o grupo causou o impacto que eu queria e já vemos que as pessoas se sentem incentivadas, postam fotos com suas árvores. Já estão deixando de enxergar as folhas como sujeira. Isso é cultural, precisamos aprender que folha não é sujeira, o que é sujeira é o plástico, o papel, mas a folha não é sujeira e não precisa ser varrida todo dia”.

Vera pondera que as podas devam ser padronizadas dentro do que pede a lei e que essa lei não seja tão branda pra não prejudicar a estrutura e qualidade da árvore e que haja um trabalho organizado para transformar folhas em adubo. “Temos muita gente que sobrevive das podas, já é um trabalho institucionalizado. É preciso fazer um trabalho maciço e criar leis que protejam as árvores. Temos que adequar esse trabalho com podas menos radicais e as folhas que vão caindo pode ser criada uma cooperativa com mecanismos para produzir adubo dessas folhas. A gente vê que o adubo vem todo de fora. Parece que a prefeitura já está tendo maquinário para picar essas folhas e transformar em adubo, promovendo a geração de renda para esses podadores que hoje já são profissionais da área. É toda uma cadeia que irá se formar.”

A empresária defende inclusive que árvores frutíferas, de espécies de frutos menores possam ser plantadas nos passeios públicos. “Defendo árvores frutíferas nas calçadas, não as mangas que podem cair nas pessoas e nos carros, mas outras frutas de espécies menores como caju, pitanga, jabuticaba, isso é fantástico. Eu tenho experiência própria, planto arvores frutíferas nos terrenos baldios do meu bairro e servem de abrigo e alimento para animais. Atrai muitos passarinhos e crianças que muitas vezes nem sabem subir em uma árvore. Nas faculdades de agronomia se estuda que não se recomenda árvores frutíferas nas calçadas, o que eu considero um absurdo.”

A partir do Esquadrão Verde, Vera notou a necessidade de ter um poder de fiscalização sobre as podas drásticas e derrubadas de árvores, e surgiu a ideia de criar uma associação. “Foi criada uma associação com um CNPJ, como um órgão registrado, que vai poder agir, que vai ter sua parte jurídica, para lutar para mudar essas leis e para ter uma ação proibitiva, porque não adianta só ficar postando, é preciso agir. Mudar essa questão das podas, porque tem umas podas que cortam praticamente a árvore toda. Esse órgão terá poder junto à Câmara Municipal para mudar essas leis.”

A empresária fica triste pelo fato de muitas pessoas não plantarem árvores nas frentes de casa, e até mesmo na frente de seus estabelecimentos comerciais para não prejudicarem suas fachadas plantando palmeiras ou até mesmo arbustos no lugar das árvores. “As pessoas não querem ter trabalho. E algumas arquitetas recomendam plantar palmeiras, porque são mais ornamentais e dão menos trabalho, mas não tem nem de longe o mesmo benefício para as pessoas, para a questão térmica da cidade, a questão da sombra. Palmeira é linda mas não traz todos esses benefícios.”

Vera lembra que a lei municipal diz que os terrenos devem ter ao menos duas árvores na frente, nos passeios públicos mas nem sempre isso é observado “Se andarmos pelos bairros e loteamentos novos, podemos dizer que cerca de 98% não planta nem palmeira e não se fiscaliza, não há fiscal para isso. E é aí que vai entrar a associação “Amigos das Árvores”. E em relação as fachadas também é uma questão cultural, as pessoas investem, gastam tanto na fachada e em Londrina, Maringá as árvores crescem, liberam toda a fachada. A partir do momento que as pessoas tiverem consciência do tamanho do benefício que as árvores trazem, sombra, tudo. Já temos na cidade árvores grandes que ultrapassam as fachadas, vão lá pra cima e liberam a fachada completamente e se tem todo benefício.”

“O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui... Escrever é meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês-amarelos..." Rubem Alves

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